30 anos da urna eletrônica: Eleições 2024 foram o maior pleito informatizado do mundo

Por TSE

Neste 13 de maio, o Brasil celebra 30 anos da criação da urna eletrônica, uma inovação que transformou a democracia do país. Para marcar a data, a quarta e última matéria da série “30 anos da Urna Eletrônica”, produzida pela Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), evidencia como a tecnologia redefiniu os paradigmas de votação e apuração no Brasil ao possibilitar a divulgação dos resultados no mesmo dia, consolidando as Eleições Municipais de 2024 como o maior pleito do mundo com votação totalmente informatizada.  

O pleito de 2024 reuniu mais de 155 milhões de eleitoras e eleitores em todo o Brasil. Para viabilizar a votação, a Justiça Eleitoral (JE) mobilizou centenas de milhares de urnas eletrônicas e uma estrutura distribuída por todo o território nacional. Essa mobilização ajuda a dimensionar, na prática, a escala do processo eleitoral brasileiro, reconhecido internacionalmente pelo uso integral de tecnologia. 

Perfil do eleitorado

Em 2024, 155.912.680 pessoas estavam aptas a votar nas eleições municipais. Para atender esse contingente, a JE organizou 94.391 locais de votação e 500.341 seções eleitorais em todo o país. Entre as seções principais, 178.501 contavam com recursos de acessibilidade. 

A coordenação dessa estrutura coube aos 26 tribunais regionais eleitorais (TREs) dos estados e às 2.619 zonas eleitorais. No topo do sistema, estava o TSE, composto de sete ministros efetivos e sete substitutos, conforme a Constituição Federal.  

Pessoas

Essa engrenagem só funciona com a atuação direta de milhares de pessoas em todo o país. Por trás de cada seção eleitoral, há um dedicado trabalho. Nas Eleições 2024, 1.912.002 mesárias e mesários atuaram no pleito. Desse total, 983.104 trabalharam de forma voluntária, o que mantém a tendência de crescimento do engajamento cívico observada desde 2020. 

A participação feminina foi maioria: 1.341.783 mulheres atuaram como mesárias, enquanto 570.197 homens exerceram a função. Outras 574 pessoas utilizaram o nome social ao exercer a função. Também participaram 5.982 mesárias e mesários com deficiência, mais que o dobro do registrado em 2020. 

A operação contou ainda com 2.639 juízas e juízes eleitorais e 21.685 servidoras e servidores da JE em todo o país, bem como com milhares de colaboradores.  

Urnas eletrônicas 

Além do engajamento humano, a realização das eleições depende de uma estrutura tecnológica distribuída por todo o território nacional. No pleito de 2024, 571.024 urnas eletrônicas foram utilizadas, incluindo-se equipamentos de contingência para substituição imediata em caso de necessidade. 

Os modelos UE2020 e UE2022 representaram 77% do total. Entre eles, destacam-se as 219.998 urnas do modelo UE2022, que incorporam melhorias, como maior capacidade de processamento, autonomia de bateria e recursos voltados à acessibilidade. 

As urnas brasileiras são equipamentos dedicados exclusivamente à votação, sem conexão com a internet. Antes de cada eleição, o código-fonte é auditado por instituições, tais como partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e universidades. 

A integridade do voto é assegurada por mecanismos diversos, a exemplo da assinatura digital, dos lacres físicos e digitais e das auditorias em diferentes etapas do processo.  

Logística 

Levar as urnas eletrônicas a todos os pontos do país exige uma operação logística de grande alcance. Em 2024, o TRE do Amazonas coordenou uma das maiores distribuições, quando urnas foram transportadas por embarcações, aeronaves e outros meios até comunidades de difícil acesso.  

No Rio Grande do Sul, as enchentes registradas em maio de 2024 exigiram a reorganização de locais de votação e a transferência de seções eleitorais. Ainda assim, a votação ocorreu nas datas previstas em todos os municípios do estado. 

Em comunidades indígenas de diferentes regiões do país, mesárias e mesários receberam treinamento específico, com o apoio de materiais adaptados às realidades locais.  

Divulgação e transparência  

Depois de percorrerem todo esse caminho, os votos passam à etapa de apuração. Em 2024, a apuração ocorreu de forma contínua após o encerramento da votação. Nas primeiras horas, o TSE passou a divulgar os resultados em tempo real.  

Cada urna gera, ao final da votação, um boletim com os resultados da seção eleitoral, assinado digitalmente e transmitido por rede segura. Esses dados ficam disponíveis para consulta pública, permitindo a conferência dos resultados por qualquer pessoa.  

Próximos passos 

A próxima eleição ocorrerá em outubro de 2026 e terá abrangência nacional: Presidência da República, Congresso, governos estaduais e assembleias legislativas. A tendência é que essa estrutura eleitoral continue a evoluir nos próximos anos.  

Com base no crescimento histórico do eleitorado, a estimativa é que mais de 158 milhões de pessoas estejam aptas a votar neste ano. A organização do pleito seguirá a mesma estrutura, com atualização de tecnologias e manutenção dos mecanismos de auditoria e segurança.  

Três décadas após a adoção das primeiras urnas eletrônicas, a realização das eleições no Brasil segue combinando escala, tecnologia, participação social e transparência em todo o território nacional. 

A série 

A série “30 anos da Urna Eletrônica” relembrou a adoção do sistema eletrônico de votação no país, iniciada em 1996. Ao longo das reportagens, foram abordados aspectos como a ampliação do acesso ao voto, a substituição do modelo em papel e os mecanismos de segurança. Neste episódio, o foco é a escala da operação eleitoral. 

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