Centro da Mulher: Ginecologista alerta para sintomas e diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos

Por Secom PMCG

O aumento da obesidade —, que em 2022 afetava cerca de 16% da população adulta mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) —, tem elevado a incidência da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), recentemente atualizada por especialistas para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Somp). Dados da OMS apontam que até 13% das mulheres em idade reprodutiva são acometidas pela condição, sendo que até 70% delas não sabem que a possuem.

O ginecologista e obstetra Alisson Vinícius Pereira Soares, que atende no Centro de Referência e Tratamento à Mulher (CRTM), da Secretaria de Saúde, faz um alerta para o risco de doenças graves e desfechos cardiovasculares, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e infarto do miocárdio, além de infertilidade, riscos amplificados pela obesidade em mulheres com Somp, mesmo em pacientes jovens.

“A obesidade é uma doença que afeta gravemente a saúde feminina em todas as fases da vida. É fundamental combatê-la, buscando um peso corporal dentro dos limites tidos como saudáveis, por meio de mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física, além de acompanhamento médico, para garantir o bem-estar geral”, explicou o médico.

Alisson disse, ainda, que o diagnóstico é frequentemente buscado devido a alterações menstruais, acne e ganho de peso, sintomas esses que, muitas vezes, levam as pacientes a suspeitarem erroneamente de gravidez ou menopausa. “O tratamento da Somp é personalizado conforme os sintomas, que vão além da presença de cistos nos ovários”, acrescentou.

Já o diagnóstico, segundo o médico, baseia-se nos critérios de Rotterdam atualizados, que exigem dois de três pilares, que são disfunção ovulatória, com atraso ou ausência de menstruação; hiperandrogenismo, com excesso de pelos, acne ou testosterona elevada; e morfologia ovariana policística ao ultrassom ou, desde 2023, níveis elevados do Hormônio Anti-Mülleriano (HAM), que reflete a reserva ovariana, esse último como alternativa ao ultrassom apenas em mulheres adultas.

Em adolescentes, Alisson afirmou que a investigação por imagem não deve ser aplicada nos primeiros anos pós-menarca, devido à imaturidade do eixo hormonal.

Para o diagnóstico de Somp por meio de ultrassonografia, o ginecologista explicou que os critérios atualizados em 2023, com o uso de transdutores de alta resolução, incluem a presença de 20 ou mais folículos em pelo menos um ovário (cada um medindo entre 2 e 9 mm) ou um volume ovariano superior a 10 cm³, podendo o diagnóstico ser fechado mesmo que a alteração ocorra em apenas um dos ovários.

Em relação à alteração da nomenclatura de SOP para Somp, Alisson disse que ela foi alterada para refletir a complexidade da síndrome, que envolve diversas vias hormonais e metabólicas, permitindo um diagnóstico mais amplo.

“O processo exige descartar condições graves e raras, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, doenças da tireoide, hiperprolactinemia, tumores produtores de androgênios e síndrome de Cushing”, finalizou.

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